Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro 43% no 2º turno, aponta BTG/Nexus

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 25, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026. Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o cenário é de empate técnico.

O presidente Lula ao lado de Flávio Bolsonaro

O levantamento foi realizado por telefone entre os dias 22 e 24 de maio, com 2.045 eleitores. O nível de confiança é de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04193/2026.

O dado central do levantamento é que a polarização entre lulismo e bolsonarismo segue dominando o cenário eleitoral. Mesmo com a presença de outros nomes e com parte do eleitorado afirmando preferência por uma alternativa fora dessa disputa, Lula e Flávio concentram os principais índices de intenção de voto e continuam no centro da corrida presidencial.

A pesquisa foi realizada após a divulgação de mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Ainda assim, os números indicam que o episódio não alterou de forma decisiva a competitividade do senador no cenário testado.

Em relação ao levantamento anterior, de abril, Lula oscilou um ponto para cima, enquanto Flávio recuou dois pontos. Com isso, a vantagem numérica do presidente passou de um para quatro pontos. Mesmo assim, os dois seguem tecnicamente empatados dentro da margem de erro. No mesmo cenário, 9% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos nomes, enquanto 1% não soube ou não respondeu.

Nos outros cenários de segundo turno testados pelo instituto, Lula também aparece à frente. Contra Romeu Zema (Novo), o presidente marca 49%, contra 38% do ex-governador mineiro. Já diante de Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 46%, enquanto o ex-governador de Goiás soma 40%. Os números mostram que, entre os adversários avaliados, Flávio Bolsonaro é o nome que mais se aproxima de Lula em uma disputa direta.

No recorte por perfil do eleitorado, Lula tem desempenho melhor entre mulheres, eleitores com 60 anos ou mais, católicos, pessoas com ensino fundamental, entrevistados com renda familiar de até um salário mínimo e desocupados. Regionalmente, o presidente mantém seu principal reduto no Nordeste, onde aparece com 59%, contra 32% de Flávio Bolsonaro.

O senador do PL, por sua vez, lidera entre homens, evangélicos, jovens de 16 a 24 anos, eleitores com ensino médio e nas faixas de renda mais altas. Flávio também abre vantagem no Sul, com 53% a 39%, e no Norte/Centro-Oeste, com 50% a 43%. No Sudeste, o levantamento registra empate numérico, com 45% para cada lado.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula também lidera. O presidente aparece com 41% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Na sequência estão Ronaldo Caiado, com 5%; Romeu Zema, com 4%; Renan Santos, com 4%; e Joaquim Barbosa, com 3%. Augusto Cury e Cabo Daciolo registram 1% cada. Outros 6% disseram votar em branco, nulo ou em nenhum nome, e 2% não souberam ou não responderam.

Na comparação com abril, Lula manteve o mesmo percentual, enquanto Flávio oscilou um ponto para baixo. O levantamento também mostra um eleitorado relativamente consolidado. Entre os que já escolheram um candidato, 70% afirmaram que a decisão está tomada e não deve mudar até a eleição. Outros 28% disseram que ainda podem rever o voto.

No estudo de migração de votos em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o petista leva vantagem entre os eleitores de Augusto Cury e Joaquim Barbosa. Flávio, por outro lado, concentra apoio expressivo entre os eleitores de Romeu Zema e abre vantagem entre os de Renan Santos. Entre os eleitores de Caiado, o cenário aparece mais dividido.

Outro dado importante é o índice de rejeição. Flávio Bolsonaro lidera nesse quesito, com 50% dos entrevistados dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Lula aparece logo atrás, com 47%. Entre os demais nomes testados, Cabo Daciolo registra rejeição de 42%, seguido por Zema, com 34%, e Caiado, com 32%. Renan Santos tem 31%, Joaquim Barbosa aparece com 30% e Augusto Cury, com 27%.

A pesquisa também mostra que Lula mantém o maior eleitorado mais fiel entre os nomes testados. Para 37% dos entrevistados, ele é o único candidato em quem votariam. Flávio Bolsonaro aparece com 26% nesse indicador.

Já no potencial ampliado de voto, que reúne eleitores que dizem poder votar em determinado nome mesmo considerando outras opções, Caiado e Zema lideram, ambos com 27%. Flávio Bolsonaro e Joaquim Barbosa aparecem com 20%.

O levantamento aponta ainda um alto grau de desconhecimento em relação a alguns pré-candidatos. Augusto Cury é desconhecido por 57% dos entrevistados, enquanto Renan Santos é desconhecido por 54%. Joaquim Barbosa aparece com 48%. Caiado e Zema também têm índices relevantes, com 37% e 34%, respectivamente.

A pesquisa traz ainda um retrato do eleitorado que declara preferência por uma terceira via. Entre os 18% dos entrevistados que dizem preferir um candidato que não seja apoiado nem por Lula nem por Jair Bolsonaro, 18% declaram voto em Flávio Bolsonaro no cenário estimulado de primeiro turno, enquanto 15% optam por Lula. A maior parte desse grupo, no entanto, continua dispersa entre outros nomes.

No recorte geral sobre preferência política, 39% dizem preferir a eleição de Lula, enquanto 34% afirmam optar por Flávio Bolsonaro ou outro candidato apoiado por Jair Bolsonaro ou por alguém de sua família. Já 18% manifestam preferência explícita por uma alternativa fora dessa polarização.

O levantamento indica que, embora exista uma parcela do eleitorado que diga buscar uma alternativa, a disputa presidencial segue concentrada nos dois principais polos da política brasileira. Lula aparece numericamente à frente e mantém força em segmentos tradicionais de sua base. Flávio, por sua vez, se firma como o nome mais competitivo do campo bolsonarista entre os cenários testados. O resultado, por enquanto, reforça que a eleição de 2026 continua sendo desenhada pela mesma polarização que marcou os últimos anos.

 

 

btg/nexus

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