A Dodmax Tecnologia foi confirmada como vencedora da licitação da loteria de Mato Grosso do Sul, a Lotesul. A única empresa de Mato Grosso do Sul a participar do certame, superou as concorrentes de vários estados na Prova de Conceito, e ofereceu 31% de repasse ao governo.
O resultado definitivo da licitação, passada a análise dos recursos interpostos pelas concorrentes, foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (24). A receita média esperada com a Lotesul é de R$ 51 milhões ao ano.
Como o contrato pode chegar a 35 anos, o faturamento garantido seria de R$ 1,7 bilhão. A Dodmax foi criada há dois anos pelo pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero, tem sede em Campo Grande e capital social de R$ 80 mil.
O empresário integrou diretoria da Acrissul e atua em outras empresas. Dodero também tem uma empresa de locação de veículos em Campo Grande.
A Prova de Conceito desclassificou outras três empresas, a Idea Maker Meios de Pagamentos (paulista), Prohards (empresa paulista está no ramo de jogos desde 2010 e integra o consórcio WLC Paraná) e Lottopro (aberta em setembro de 2024, com capital social de R$ 20 milhões).
Histórico complexo
Em março do ano passado, três empresas disputavam a licitação da Lotesul e o maior lance era de 21,57%. Porém, o certame foi suspenso após o empresário Jamil Name Filho, preso desde de setembro de 2019 e condenado a mais de 70 anos, questionar o processo e denunciar o direcionamento na licitação da loteria de Mato Grosso do Sul.
A Criativa Technology comandada por Sérgio Donizete Baltazar, de Dourados, também apontou irregularidades na época. Meses depois, em novembro, a 4ª fase da Operação Sucessione mostrou que a suposta organização criminosa comandada pela família Razuk pretendia assumir a nova Lotesul (Loteria de Mato Grosso do Sul), com perspectiva de faturar R$ 51 milhões por ano. Baltazar também foi preso nessa operação.
De acordo com a investigação, o deputado estadual Neno Razuk (PL), junto com o pai, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, e os dois irmãos, Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto, planejava levar o jogo do bicho para Goiás e brigar com o controlador da jogatina naquele estado, conhecido como “Cachoeira de Goiânia”. Havia até um investidor não identificado disposto a aplicar R$ 30 milhões na empreitada.
Apontado como um dos patriarcas do poder paralelo no Estado há décadas, ao lado dos empresários Jamil Name e Fahd Jamil, que foram presos na Operação Omertà, o clã da família Razuk, apesar da saúde debilitada e dos graves problemas de saúde, continuava com poder sobre a organização criminosa.
