O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou novo pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, preso desde 25 de março de 2026. Ele é acusado de matar a tiros o fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em um imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na Capital.

O recurso foi analisado no fim da tarde de terça-feira, 1º de julho, e acabou conhecido, mas não provido. O processo havia sido autuado no STJ em 23 de junho de 2026 e distribuído ao ministro Og Fernandes, relator do caso.
A decisão da Corte Superior ocorre poucos dias depois de Bernal ser pronunciado pela Justiça de Mato Grosso do Sul. A sentença foi assinada na noite de 26 de junho de 2026 pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, que entendeu haver elementos suficientes para levar o caso ao julgamento popular.
Com a pronúncia, o ex-prefeito passa a responder perante o Tribunal do Júri pelos crimes de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo e invasão de domicílio. Na decisão, o magistrado considerou existir prova da materialidade do crime e indícios de autoria, requisitos necessários para que jurados analisem a acusação.
O crime ocorreu em 24 de março de 2026. Segundo a investigação, Roberto Carlos Mazzini havia ido ao imóvel acompanhado de um chaveiro para tomar posse da casa, adquirida após procedimento ligado à Caixa Econômica Federal (CEF). O banco havia retomado o imóvel em razão de dívida de financiamento.
Desde a prisão, a defesa de Alcides Bernal tenta reverter a preventiva. Antes do recurso ao STJ, pedidos de liberdade já haviam sido negados pela Justiça estadual. Em uma das decisões, o juiz Carlos Alberto Garcete apontou que não havia fato novo capaz de modificar os fundamentos que sustentaram a manutenção da prisão.
A defesa afirma que Bernal agiu em legítima defesa e sustenta que a morte ocorreu após um mal-entendido sobre a entrada da vítima no imóvel. Já o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) defende que o crime teria sido motivado pelo inconformismo do ex-prefeito com a perda da casa.
Com a negativa no STJ, Bernal segue preso enquanto o processo avança para a fase do júri. Ainda não há data definida para o julgamento popular, etapa em que caberá aos jurados decidir se o ex-prefeito será condenado ou absolvido das acusações.
