Produtores rurais que atuam como pessoa física passam a ter acesso ampliado a linhas de crédito voltadas à inovação e digitalização no agronegócio. A medida foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) por meio da Resolução nº 5.306/2026, publicada em 20 de maio, que altera a Resolução nº 5.097 e amplia o acesso às operações financiadas com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), repassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Com a nova redação, passam a ser elegíveis empresários individuais e pessoas físicas residentes no país que exerçam atividades nos setores agropecuário, florestal, pesqueiro e aquícola, incluindo serviços diretamente ligados a essas áreas.
Na prática, a medida amplia o acesso ao crédito para produtores rurais pessoa física, permitindo a contratação de financiamentos destinados à modernização, inovação tecnológica e digitalização da atividade produtiva. Entre os investimentos financiáveis estão softwares de gestão, sistemas de monitoramento e controle produtivo, tecnologias de automação, máquinas, equipamentos e outras soluções voltadas ao aumento da eficiência operacional no campo.
Investimentos em tecnologia e eficiência
De acordo com o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Flores Gimenes, a ampliação do acesso ao crédito representa uma oportunidade importante para o produtor rural investir em tecnologia e eficiência produtiva, mas exige cautela na tomada de decisão.
“Essa ampliação do acesso ao crédito pode contribuir diretamente para ganhos de produtividade, modernização da gestão rural e melhoria da eficiência operacional das propriedades. No entanto, é fundamental que o produtor faça uma análise criteriosa da sua capacidade de pagamento e do retorno econômico esperado do investimento, principalmente em um cenário de juros elevados e maior custo financeiro”.
O informativo econômico da Aprosoja/MS destaca que, em um cenário de juros elevados e maior custo financeiro no Brasil, é fundamental que o produtor avalie a real necessidade do investimento, os impactos sobre os custos de produção e os ganhos efetivos proporcionados pelas tecnologias adquiridas.
Operações já eram usadas por pessoas jurídicas
Anteriormente, essas operações eram utilizadas principalmente por produtores enquadrados como pessoa jurídica, inclusive para reorganização financeira, substituição de passivos com custos mais elevados, alongamento indireto de obrigações, liquidação de CPRs e reestruturação do fluxo de caixa, especialmente em períodos de quebra de safra, alta nos custos de produção ou queda nos preços das commodities.
Segundo a Aprosoja/MS, o uso estratégico do crédito rural deve estar associado a objetivos bem definidos, análise de viabilidade econômica e gestão financeira estruturada, buscando maior segurança na contratação de operações e sustentabilidade financeira no longo prazo.
Contratação poderá ser feita com o BNDES e bancos habilitados
As operações previstas na resolução poderão ser contratadas diretamente com o BNDES, suas subsidiárias ou instituições financeiras habilitadas para o repasse dos recursos.
Aprosoja-MS
